Museu do Fado
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Museu do Fado no Movimento "14 20 a ler" do Plano Nacional de Leitura

28 Junho, 2019
 

Ponto de Fuga – Variações sobre marginalia e afins 
Movimento 14-20 a Ler

O Museu do Fado integra a rede de parceiros do projeto “Ponto de Fuga – Variações sobre marginalia e afins” coordenado pela Escola Básica e Secundária Gil Vicente (AEGV), que tem também como parceira a Universidade de Évora.

O projeto “Ponto de Fuga – Variações sobre marginalia e afins” destina-se a fomentar hábitos de leitura e escrita, desenvolvendo competências associadas à análise e à interpretação de texto, para que os alunos, na faixa etária dos 14 aos 20 anos, se tornem leitores críticos cada vez mais competentes e versáteis. Propomo-nos atingir este objetivo através da exploração multidisciplinar de um corpus de textos previamente selecionado pelos parceiros envolvidos na iniciativa, no sentido de uma reconfiguração do cânone pela relação inesperada entre textos e géneros de tempos e etiologias díspares. Pretende-se que a seleção do corpus, para cada ano letivo, seja diversificada e incorpore obras de diferentes línguas e origens culturais, a partir de um tópico comum agregador previamente definido, para cada ano de escolaridade, em articulação com a ideia central do projeto, ou seja, refletir criticamente sobre o tópico da identidade e da diversidade através das artes, numa perspetiva multidisciplinar e intercultural. 

O projeto procura traduzir, quer na escolha dos textos, quer na sua exploração e reconfiguração interpretativa, o encontro de influências artísticas entre gerações e sensibilidades, que, sendo aparentemente díspares, são, todavia, congruentes com a duplicidade de vivências dos jovens envolvidos, que herdam dos pais, avós e vizinhos uma educação tradicional marcada pelo culto do fado (ou do cante, no caso dos alunos de Évora) e de outras tradições populares do bairro ou da cidade e, ao mesmo tempo, recebem do grupo de amigos, dos meios de comunicação social e da internet, a forte influência de movimentos artísticos urbanos que excedem, ou contrariam, os limites do bairro, da cidade e do país, inscrevendo no particular o universal.

Propomo-nos, assim, consolidar conhecimentos, aprofundar relações de contiguidade entre artes e proporcionar uma reflexão constante sobre a equação entre tradição e modernidade, através de performances, que podem ser curtas ou mais extensas, e da concepção de produtos originais decorrentes de ateliers de formação que poderão incluir workshops, palestras, Masterclasses, debates, oficinas de leitura e escrita, quer em situação curricular, quer em situação extracurricular.

O foco deste projeto consiste em conhecer e explorar a relação entre géneros artísticos que têm uma origem marginal, na medida em que são oriundos de meios socialmente desfavorecidos e originariamente periféricos: o fado emerge nas ruelas pobres e melancólicas de Alfama associado a um tipo de vida libertina; o cante é a  expressão sofredora  da vida laboriosa dos camponeses, no Alentejo; o rap e o hip-pop são géneros suburbanos que se assumem como música de protesto em áreas metropolitanas desfavorecidas; o teatro, na sua forma primitiva, radica na associação a crendices e rituais mágicos; a literatura compreende, para além de valiosíssimas marginalia, como a de Fernando Pessoa, por exemplo, obras consideradas marginais ou à margem, em certos momentos da História, e autores a que, por razões similares e em momentos específicos, foi atribuído o epíteto de “maldito”, uma variante conceptual do conceito de marginalidade. Interessa-nos sobretudo explorar o conceito de “géneros marginais”, designação aqui usada por conveniência descritiva e metodológica para identificar as linguagens artísticas antes mencionadas, mercê da sua origem comum, ainda que a sua evolução ao longo da história as tenha gradualmente incorporado na cultura popular dominante ou mainstream. O que nos importa é, pois, compreender a origem histórica e estética destes géneros e movimentos, reinterpretando os conceitos de “marginalidade” e “periferia”, assim como os de “particular” e “universal”, e maximizando os recursos de cada linguagem artística de forma a potenciar gestos interpretativos críticos e originais, que alimentem a ideia central deste Ponto de Fuga. O título do projeto, decorrente das artes visuais, tem, no entanto, um alcance maior, uma vez que remete para um tópico central de onde partem e para onde convergem experiências artísticas e conceptuais, que emergem sob novas e inusitadas combinações. Este gesto, que queremos interpretativo e fundacional, é o fio condutor da ação que nos une. No subtítulo, reforçamos os laços, pela conjugação da música (variações) e da literatura (marginalia), em torno da ideia de repetição. 


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