Museu do Fado
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Personalidades
 
Manuel de Almeida
( 27 Abril, 1922 - 3 Dezembro, 1995 )
Manuel de Almeida tornou emblemáticas as suas interpretações do “Fado Antigo” e “Mãos Cheias de Amor”, mas popularizou, também, vários poemas das sua própria autoria como “Não vale a pena meu bem”, “Por te querer tanto”, “Tempos que já lá vão”, “Longe de ti”, ou “É a saudade”. Na Sociedade Portuguesa de Autores estão registados mais de 50 temas atribuídos ao fadista, seja como poeta ou compositor.

Filho de Manuel de Almeida e de Belmira Ferreira, Manuel Ferreira de Almeida nasceu a 27 de Abril de 1922, em Lisboa, no Bairro da Bica. O fadista completou a instrução primária, mas sendo pouco interessado pela escola, com o acordo dos pais, não prosseguiu os estudos.

Com apenas dez anos circulava pelos retiros fadistas, onde assistia às actuações de inúmeros fadistas, passando, mais tarde, a aventurar-se em interpretações ainda de carácter amador. Tendo de escolher uma actividade profissional, Manuel de Almeida enveredou, aos quinze anos, pela carreira de desenhador de calçado de senhora, profissão que manteve até ser incorporado no exército para cumprir o serviço militar.

Após cumprir o serviço militar, Manuel de Almeida casa-se, em 1947, e dois anos depois, o casal tem uma filha a quem dá o nome de Edite.

Antes de se iniciar nos circuitos de interpretação profissional do fado, Manuel de Almeida começa por ser autor de algumas letras, das quais se destaca o poema "Ala Arriba", que Alberto Cardia interpretou e gravou em disco com grande sucesso.

É por sugestão de Maria Pereira, à data contratada da casa típica Tipóia, que Manuel de Almeida acede ao incentivo de experimentar cantar publicamente nesta casa. Como o próprio relata: “Fui e cantei dois fados. Desde logo passei também a participar do elenco da Tipóia”. (cf. “Diário Ilustrado”, 31 de Maio de 1960).

Assim, Manuel de Almeida só se profissionalizou com 29 anos, em 1951, para poder actuar regularmente na Tipóia, casa que funcionava sob a direcção de Adelina Ramos, e onde obteve o seu primeiro cachet de 60 escudos por noite.

A partir do momento em fez a sua estreia profissional, Manuel de Almeida abandonou definitivamente a sua outra actividade e desenvolveu, com grande sucesso, uma carreira no Fado, mantendo uma estreita ligação com as casas típicas.

O fadista cantou no Retiro do Malhão, no Estribo, no Olímpia Clube, no Faia e regressou à Tipóia, desta vez permanecendo no elenco durante 12 anos.

Da Tipóia transitou para a casa Lisboa à Noite, já na década de 1960, propriedade de Fernanda Maria, onde se fixa durante onze anos.

Ao decidir estabelecer residência em Cascais, o fadista optou por passar a actuar no Picadeiro da Torre e, posteriormente, no Forte D. Rodrigo, casa inaugurada pelo fadista Rodrigo, em 1979, e na qual Manuel de Almeida se apresentou ao longo de dezasseis anos.

As actuações de Manuel de Almeida não se restringem às casas de Fado, fazem-se também em palcos, nacionais e estrangeiros, em programas de rádio, particularmente da Emissora Nacional, e de televisão. O fadista participou nas sessões experimentais da RTP, em 1956, e posteriormente faz aparições em inúmeros programas.

Dos seus espectáculos em território nacional destacam-se as deslocações ao Porto e a realização de uma festa artística, a 24 de Novembro de 1962, com lotação completamente esgotada no Pavilhão dos Desportos.

Manuel de Almeida iniciou mais tardiamente os espectáculos no estrangeiro, em 1966 afirma mesmo que foi apenas ao estrangeiro uma vez, a Espanha, para se apresentar em casas particulares (cf. “Flama”, 16 de Dezembro de 1966). Mas ao longo da sua carreira actuou em vários palcos das comunidades portuguesas espalhadas pelo Mundo.

Em 1971 deslocou-se com Ada de Castro a Moçambique, a convite do Centro de Informação e Turismo e voltou a Lourenço Marques, logo no ano seguinte, 1972, desta vez para actuar no restaurante “Muimbeleli”, em conjunto com Lucília do Carmo.

A 10 de Junho de 1977 participou nas comemorações do Dia de Portugal em Joanesburgo e, no mesmo âmbito, actuou, no ano seguinte, em Estugarda. Em Fevereiro de 1985 fez várias apresentações nos Estados Unidos, na zona da Califórnia, e, mais uma vez, o sucesso foi tal que o levou a regressar no ano seguinte.

Acompanhando Rão Kyao, fez chegar o Fado à Coreia do Norte, com a participação no Festival Internacional de Música Típica, no ano de 1986. A sua colaboração com Rão Kyao prosseguiu no ano seguinte, quando este produziu o LP “Eu Fadista Me Confesso”, disco que teve grande destaque na imprensa e que foi reeditado em formato CD em 1992.

Em 1993 participou no Festival Internacional de Music Croisée em Saint Sever, um marco importante para o longo percurso do fadista, uma vez que recebeu um prémio de interpretação e, ainda, uma medalha da cidade.

A sua forma característica de interpretar o Fado ficou registada em cerca de uma dezena de LPs e quase três dezenas de singles. Os seus primeiros discos, ainda em formato de 78 RPM, foram editados pela etiqueta Estoril, na década de 1950, e incluem os temas: “Tempos que já lá vão”, “Antigamente”, “Fado Rambóia”, “Fado da Saudade”, “Sofrer d’ Amor” e “Os Teus Olhos”.

O seu primeiro LP individual foi gravado em Barcelona, mas, anteriormente, em 1963, tinha já lançado em Portugal um disco em parceria com a fadista Mariana Silva.

Alguns dos seus álbuns foram reeditados em CD, sendo também frequente a inclusão das suas interpretações em colectâneas representativas do melhor do Fado.

É nas décadas de 1960 e 70 que a sua carreira atinge o apogeu, somando no seu repertório um conjunto próprio de duzentos fados, muitos dos quais da sua autoria. (cf. “Álbum da Canção”, 1 de Fevereiro de 1967).

Manuel de Almeida tornou emblemáticas as suas interpretações do “Fado Antigo” e “Mãos Cheias de Amor”, mas popularizou, também, vários poemas das sua própria autoria como “Não vale a pena meu bem”, “Por te querer tanto”, “Tempos que já lá vão”, “Longe de ti”, ou “É a saudade”. Na Sociedade Portuguesa de Autores estão registados mais de 50 temas atribuídos ao fadista, seja como poeta ou compositor.

O fadista centrou-se mais na interpretação do fado castiço, considerando que este era o que melhor se adaptava à sua maneira de ser. É também como representante fidedigno deste género que ele é mais admirado no universo fadista.

Paralelamente, durante toda a sua vida, Manuel de Almeida foi apaixonado pelo desporto, tendo praticado, basquetebol, atletismo e boxe, mas foi ao atletismo que se dedicou durante mais tempo. Mantendo a sua boa forma, o fadista de 1,80 m, manteve sempre uma actividade física, correndo de forma regular nas pistas do Estádio Nacional ou praticando ciclo turismo.

A 21 de Fevereiro de 1994, comemorando os 50 anos de carreira com um espectáculo de homenagem no Teatro São Luiz, Manuel de Almeida continuava a apresentar-se com regularidade em espectáculos ao vivo, tendo mesmo participado no ano anterior num Festival internacional de música em França.

O Forte Dom Rodrigo foi a última casa de fados onde o fadista se manteve em actuação quase até ao final da sua vida. Manuel de Almeida faleceu em Cascais, com 73 anos de idade, em 1995. Em homenagem ao fadista, os seus familiares e amigos organizam anualmente uma reunião no dia do seu aniversário.

Reconhecendo a sua ligação ao concelho de Cascais o seu nome está atribuído a uma rua da cidade e a outra situada em Alcabideche.

O Museu do Fado, em co-produção com a Associação Portuguesa dos Amigos do Fado, prestou homenagem a Manuel de Almeida a 23 de Novembro de 2006, numa apresentação de Ana Maria Mendes acompanhada por um diaporama de Vítor Duarte, integrada no ciclo “Amigos – Memórias e Fado”.

Alguns Prémios e homenagens:
- Diploma de agradecimento do Senado de Rhode Island pela sua contribuição para a Cultura da Comunidade Luso-Americana;
- Prémio da Imprensa, atribuído pela Casa da Imprensa, em 1964;
- Prémio Gratidão, atribuído pela Casa da Imprensa, em 1992;
- Prémio de interpretação no Festival Internacional de Music Croisée, realizado em Saint Séver (França), em 1993;
- Medalha da Cidade, Saint Séver (França), em 1993;
- Prémio Carreira, atribuído pela Casa da Imprensa a título póstumo, em 1997.

Selecção de Fontes de Informação:
“Diário Ilustrado”, 31 de Maio de 1960;
“Rádio e Televisão”, 30 de Março de 1963;
“Flama”, 16 de Dezembro de 1966;
“Álbum da Canção” nº 48, 1 de Fevereiro de 1967;
“Correio da Manhã”, 11 de Fevereiro de 1994;
“Público”, 20 de Fevereiro de 1994.

Última actualização: Março/2008


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