Museu do Fado
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António Parreira
( 13 Junho, 1944 )
Aos 11 anos de idade, influenciado pelo seu tio, aprende a tocar o "Fado Corrido no 5º ponto" - que mais tarde vem a saber tratar-se do tom Sol Maior, e que serviu de referência para aprender as restantes tonalidades. Inicia-se o seu percurso de músico, tocando nas chamadas “tascas” situadas nas várias aldeias vizinhas.

António Parreira, de seu nome completo António Parreira Costa, é natural de Monte das Taipas, freguesia de Santa Margarida da Serra, concelho de Grândola.

É ainda muito novo quando se sente cativado por música, nomeadamente o som emitido pelos acordes da guitarra portuguesa. Ao completar os 3 anos de idade muda-se para o Monte Pero Pardo, propriedade de um tio, conhecido por “Zé do Pero Pardo” e que tocava o Fado Corrido no 5º ponto. António Parreira diz-nos sobre esses tempos: “Aprendíamos as músicas na rádio ou então naquelas verbenas alentejanas. Ás vezes iam pessoas de Lisboa, que ganhavam a vida nas feiras, levavam uma guitarra, uma viola, cantavam e vendiam os versos.”

Aos 11 anos de idade, influenciado pelo seu tio, aprende a tocar o "Fado Corrido no 5º ponto" - que mais tarde vem a saber tratar-se do tom Sol Maior, e que serviu de referência para aprender as restantes tonalidades. Inicia-se o seu percurso de músico, tocando nas chamadas “tascas” situadas nas várias aldeias vizinhas. Os convites vão surgindo e António Parreira é solicitado para tocar em festas de amigos, sempre acompanhado por violistas da região, dos quais destaca Luís Duarte, Joaquim do Moinho da Cruz e Carlos Carvalho, entre outros. Sobre a região, António Parreira esclarece: “É uma terra privilegiada, uma terra onde existe o culto do fado e da guitarra portuguesa. Não havia profissionalismo mas éramos chamados para as festas…”

Por volta dos 14/15 anos, é convidado para tocar na Tasca do Faúlha de que é proprietário Jorge Chaínho, pai de António Chaínho, ambos guitarristas. Influenciado por António Chaínho, António Parreira inicia-se na viola, acompanhando o guitarrista em pequenas actuações por mais de 3 anos. De acordo com António Parreira, esta transição de instrumento resulta do seguinte factor: “António Chaínho destacava-se dos outros guitarristas e não havia um violista à altura para o acompanhar, então viram em mim uma pessoa com jeito para tocar a viola de fado.”. Em consequência de uma doença renal, António Parreira vê-se obrigado a ficar inactivo durante dois anos.

Em 1965 e já recuperado, António Parreira ingressa no serviço militar (Polícia Militar) em Elvas, passa por Lisboa, ao que se segue uma permanência em Moçambique. Será este um período profícuo no qual se dedica exclusivamente à guitarra portuguesa. Actua em diversos espectáculos, com destaque para os que tiveram lugar no Malawi, Rodésia, África do Sul, Angola e Moçambique, sempre acompanhado pelo violista Francisco Gonçalves, seu camarada da tropa e parceiro de música ao longo de 33 anos (1965-1998).

Quando regressa da tropa, volta à sua terra natal, mantendo com alguma regularidade as visitas a Lisboa e às muitas casas de fado que a preenchem.

Augusto Damásio, um amante da guitarra portuguesa, apresenta António Parreira ao proprietário da casa de fado Guitarra da Madragoa, sita na Rua da Esperança. Aqui se estreia como guitarrista profissional em 9 de Maio de 1969.

Na década de 70 passa a integrar o elenco do restaurante típico Guitarra de Alfama, ao que se seguem a Taverna d´ El Rei, Fragata Real, Abril em Portugal, Parreirinha de Alfama, Luso, Arreda e Forte Dom Rodrigo, estes últimos situados na zona de Cascais, e na época propriedade do fadista Rodrigo. É precisamente com Rodrigo que António Parreira se desloca em inúmeros espectáculos, nacionais e internacionais, com destaque para as apresentações na Rádio Televisão Espanhola, no programa "Festival" da TV Globo, “Festival das Nações” em Joanesburgo e em actuação durante três semanas no Casino de Monte Carlo.

António Parreira faz a sua primeira aparição na televisão portuguesa, no programa “Zip-Zip” em 1970, quando acompanha António dos Santos na interpretação de fados humorísticos e baladas. Seguiram-se outras inúmeras participações televisivas.

Em 1973 edita o seu primeiro disco a solo, "Guitarras de Portugal", acompanhado à viola por Francisco Gonçalves. Deste registo destaca-se o arranjo musical de temas como “Milho Verde” e “Variações sobre o Fado Lopes”.

Entre 1976-1980 António Parreira complementa a sua aprendizagem e frequenta aulas particulares com o Prof. alemão Zieg Fried Zugg, aprendendo a ler e a escrever música.

Demarcando-se como excelente guitarrista, António Parreira acompanha o fadista António Mourão em espectáculos no Japão, Austrália, Macau, Nova Zelândia, toda a Europa ocidental, Estados Unidos da América, Canadá, Venezuela, Colômbia, Brasil, Argentina, Uruguai, países de África, nomeadamente a África do Sul e muitos outros.

Em 1977 acompanha Amália Rodrigues que actuou durante duas semanas no Hotel Melia Castilla. Em 1978 surge um novo convite, desta vez para uma actuação com a fadista na cidade de Paris.

Seja em espectáculos, apresentações na televisão e na rádio e em gravações, António Parreira expressa-nos: “Acompanhei praticamente toda a gente, Alfredo Marceneiro, Amália Rodrigues, Tristão da Silva, António Mourão, Fernando Farinha, Carlos do Carmo, Rodrigo. (…) Aprende-se muito com um artista mesmo quando se está há muito tempo com ele.”

O guitarrista destaca como um dos pontos altos da sua carreira a actuação que teve lugar no “Festival da Cruz Vermelha”, em Nova Iorque, e que contou com a presença do então Presidente dos Estados Unidos da América Jimmy Carter. Salienta também a actuação ao lado de Rão Kyão no “Festival das Nações” na Coreia do Norte.

De entre os trabalhos discográficos em que participou, António Parreira destaca "Saudade", com a artista japonesa Saki Kubota, e que contou com as presenças dos músicos António Chaínho, Martinho D`Assunção e Pedro Nóbrega.

Corre o ano de 1989 quando grava com a fadista Amália Rodrigues um espectáculo para a televisão espanhola, inserido num programa apresentado por Sara Montiel. Neste período colabora assiduamente com a cantora Tonicha. Em 1992 actua a solo, durante três semanas, no Hotel Oton Palace (Rio de Janeiro), onde apresentou um repertório composto exclusivamente por música portuguesa.

Outra referência musical é o fadista Manuel de Almeida, (falecido em 3 de Dezembro de 1995), que António Parreira acompanhou, em espectáculos e gravações, durante os seus últimos 17 anos de vida.

Em 1999 inicia uma recolha de 120 fados clássicos, com transcrição pelo Maestro Jorge Machado, "Notas de Música", para a edição da Ediclube “Um Século de Fado”.

Entre outras, compôs as seguintes músicas para os Fados:

      "Recado"

      "Fado Marina"

      "Ribeira Nova"

      "Versos do Povo"

      "RR Mexilhão"

      "Fado Inês"

      "Gotas de Tristeza"

      "Isto de ser Poeta"

      "Contos e Contas"

      "Senhor Marquês de Pombal"

      "Ser Português"

      "Zé Guitarrista"

      "Violeta do Chiado"

      "Para Não ver a Realidade"

Graças ao seu excelente talento musical, António Parreira conseguiu transmitir ao seu filho, Paulo Parreira, (como este confessa), os timbres e o fascínio que o haveriam de envolver, também, nos mágicos acordes da guitarra portuguesa. Isso é tão mais verdade, quanto sabemos que o seu filho mais novo, Ricardo Parreira, é já também, um virtuoso instrumentista da guitarra portuguesa, tendo sido um dos convidados de Argentina Santos, na festa de homenagem que o Museu do Fado lhe consagrou no dia 28 de Novembro de 1999.

O fascínio pela guitarra portuguesa leva o Mestre António Parreira a procurar novos desafios, e desde 2001 integra o corpo docente da Escola de Guitarra do Museu do Fado, em Alfama, “…tenho e sinto-me orgulhoso com isso, neste país a pessoa que mais guitarristas ensinou fui eu! É preciso ter um dom especial para saber ensinar, paciência e método, para que as pessoas entendam…”, confidencia. Mestre António Parreira é uma referência na Escola do Museu do Fado.

Em 2007 no Teatro de S. Luiz, Mestre Parreira é distinguido pela Casa da Imprensa com o “Prémio Carreira”.

A 22 de Outubro de 2008 recebe a Medalha de “Mérito Municipal” entregue pelo Concelho de Grândola.

Em 2014, numa edição do Museu do Fado, lançou “O Livro dos Fados – 180 Fados Tradicionais em Partituras”, uma obra com um inestimável valor pedagógico que, como o próprio título revela, reúne partituras de 180 temas do cancioneiro tradicional do Fado transcritas pelo próprio António Parreira.

O disco “Guitarra Portuguesa por António Parreira, Paulo Parreira e Ricardo Parreira”, editado em 2016 pela HM Música, assinala o seu regresso ao trabalho de estúdio. Com direcção e produção musical do próprio, António Parreira partilha o protagonismo com os seus dois filhos, que aprenderam a tocar guitarra com ele e são hoje brilhantes compositores e executantes deste instrumento.

Selecção de fontes de informação:

Museu do Fado - Entrevista realizada em 27 de Julho de 2006.

Parreira, A. (Recolha), Machado, J.(Transcrição) (1999) “Notas de Música”, Colecção “Um Século de Fado”, Lisboa, Ediclube

 

Última actualização: Maio/2017



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