Museu do Fado
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Deolinda Rodrigues
( 31 Dezembro, 1924 - 10 Outubro, 2015 )
Com apenas 8 anos, Deolinda Rodrigues cantava por brincadeira na Sociedade Recreativa da União Familiar de Telheiras. A fadista considera que o grande impulso para a sua carreira profissional se deu com a classificação em segundo lugar num concurso de fados, o "Concurso da Primavera", organizado pelo jornal "Diário Popular", onde se apresentavam artistas amadores e profissionais.

Deolinda Rodrigues nasceu em Lisboa, no antigo Convento de Telheiras, no dia 30 de Dezembro de 1924, mas prefere comemorar o seu aniversário a 1 de Janeiro de cada ano.

Com apenas 8 anos, Deolinda Rodrigues cantava por brincadeira na Sociedade Recreativa da União Familiar de Telheiras. A fadista considera que o grande impulso para a sua carreira profissional se deu com a classificação em segundo lugar num concurso de fados, o "Concurso da Primavera", organizado pelo jornal "Diário Popular", onde se apresentavam artistas amadores e profissionais.

A sua estreia artística realiza-se por intermédio do empresário José Miguel e é noticiada no jornal Canção do Sul, onde se lê:” amadrinhada por Maria do Carmo Torres, estreou-se no passado dia 6, no Retiro dos Marialvas, a novel cantadeira Deolinda Rodrigues que foi muito bem recebida pela numerosa assistência.” (cf. “Canção do Sul”, 1 de Novembro de 1944, p.16). A partir deste momento, Deolinda Rodrigues apresentar-se-á como profissional em vários espaços de fado como o Baía, o Vera Cruz, o Café Mondego, o Café Latino ou a Urca (na Feira Popular), entre muitos outros.

Em 1947 Deolinda Rodrigues é convidada para o teatro e estreia-se na revista “Cartaz da Mouraria”, ao lado de Hermínia Silva, no Teatro Apolo, onde interpreta o tema “Severa, de autoria de Fernando Santos e Raul Ferrão. Nesse mesmo ano o jornal Canção do Sul apresenta-a na capa da edição de 16 de Março onde, sob o título “Flor de harmonia do fado” lhe tecem os mais rasgados elogios: “Os que gostam do fado sabem que a Deolinda o canta, como ele deve ser cantado: com sentimento, melodia e expressão. Na alma desta rapariga, modesta e despretensiosa, a balada fadista é flor singela a desfolhar-se em pétalas de poesia…” (cf. “Canção do Sul”, 16 de Março de 1947, p.3).

A ligação da fadista ao teatro de revista prolongar-se-á com grande sucesso e subirá a palco para operetas e revistas como o “Passarinho da Ribeira” (1947), “Fogo de Vistas”, levada à cena no Teatro Maria Vitória (1950, “Já Vais Aí” (1956), “Lisboa em Festa” (1958), “Vamos à Lua”, “Viro Disco”, “Arraial de Lisboa” (1959) e “Sopa no Mel” (1965).

Incentivada pelo cantor José António propõem-se a exames para a Emissora Nacional, sendo o Maestro Nóbrega e Sousa um dos membros do júri que a aprova. Deolinda Rodrigues passa a ter um programa semanal na rádio.

Segundo nos revelou em entrevista, Deolinda Rodrigues terá sido a partir da audição de um dos seus programas de rádio, pelo realizador Henrique Campos, que surgiu o interesse na fadista para as filmagens de um novo filme. Deolinda Rodrigues aparecerá, assim, nos ecrãs de cinema em 1950 contracenando ao lado de Alberto Ribeiro no popular filme “Cantiga da Rua”, realizado por Henrique Campos. Após esta estreia de sucesso, Deolinda regressará ao cinema, em 1952, no filme "Madragoa", de Perdigão Queiroga e em 1956, sob a direcção de Artur Duarte, no filme "O Noivo das Caldas". Considerados “o par romântico do cinema e do teatro”, Deolinda Rodrigues e Alberto Ribeiro protagonizariam umas das duplas de maior sucesso na década de 50.

Após o seu casamento e o nascimento da filha, na década de 50, Deolinda Rodrigues decide afastar-se da carreira artística durante cerca de dois anos. Voltaria a retomar a sua actividade com a participação em cinema, rádio, programas televisivos e o convite para digressões nacionais e internacionais.

Deolinda Rodrigues faz digressões ao Brasil e África, aos Estados Unidos da América e Canadá, com Rui Mascarenhas e, em 1965, volta a deslocar-se para espectáculos em África, Venezuela e Brasil.

A película “Passarinho da Ribeira” (1960) de Augusto Fraga voltaria a revelar Deolinda Rodrigues como protagonista de cinema e as casas de fado continuam a marcar presença no seu percurso artístico, com destaque para o Faia, a Tipóia, onde integrou o elenco durante 12 anos e o Painel do Fado, onde se apresentou durante 15 anos.

Na década de 80 estreia-se na produção televisiva nacional “Um Solar Alfacinha” (1989) a que se segue a participação na telenovela “Vidas de Sal” (1996). E, mais recente mente, entre Junho e Novembro de 2004, participou assiduamente no programa de televisão "Portugal no Coração".

A 2 de Outubro de 2004, a Associação das Colectividades do Concelho de Lisboa homenageou-a pelos seus 60 anos de carreia e, a 12 de Março de 2005, a Câmara Municipal de Lisboa assinalou estas décadas dedicadas ao fado com a realização de um espectáculo no Fórum Lisboa, onde Deolinda foi acarinhada com a presença de amigos como Anita Guerreiro, Maria Valejo, Marina Mota e Natércia Maria, entre muitos outros.

Em 2007 foi-lhe atribuída pela Câmara Municipal de Lisboa a Medalha Municipal de Mérito, Grau Prata, destacando Deolinda Rodrigues como “um nome incontornável da canção nacional na primeira metade do século XX".

Selecção de fontes de informação:
“Canção do Sul”, 01 de Novembro de 1944;
“Canção do Sul”, 16 de Janeiro de 1947;
"Canção do Sul", de 16 de Março de 1947;
“Ecos de Portugal”, 01 de Junho de 1947;
“Ecos de Portugal”, 15 de Junho de 1949;
“Flama”, 2 de Junho de 1950;
“Eva”, Setembro de 1951;
“A Voz de Portugal”, 13 de Junho de 1957
Catálogo do espectáculo de homenagem a Deolinda Rodrigues, 12 Março de 2005.
Museu do Fado - Entrevista realizada em 29 de Novembro de 2006.

Última actualização: Janeiro/2016



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