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Tony de Matos
( 28 Outubro, 1924 - 8 Junho, 1989 )
Tony de Matos é uma das vozes mais proeminentes e populares no mundo da canção portuguesa, como nos diz a revista “Antena”: “cantou em quatro continentes, a sua voz está implantada em milhares de discos, o rosto surgiu na tela grande, a presença firmou-se na retina de quem o aplaude no teatro ou na televisão, quem o escuta nas mais diversas horas do dia penetrando em nossos lares” (“Antena”, 15 de Setembro de 1967).

Tony de Matos é uma das figuras mais carismáticas do meio artístico português. Filho de Afonso de Matos e Mila Graça, António Maria de Matos, nasce no Porto a 28 de Outubro de 1924. Vive até aos 5 anos nesta cidade, altura em que a sua mãe passa a integrar a Companhia de Teatro itinerante de Rafael de Oliveira. Tony, como era tratado por todos, começa cedo a pisar os palcos e passa grande parte da sua infância e adolescência, de cidade em cidade.

Aos 13 anos estreia-se como ponto e, por os pais o quererem afastado da vida artística, aprende o ofício de barbeiro, o qual vai pondo em prática nas terras onde a companhia se vai estabelecendo.

O desejo de cantar fá-lo rumar até Lisboa, onde, paralelamente, se emprega na Comissão Reguladora das Moagens de Ramas. Tony de Matos é recusado, por duas vezes, no concurso de admissão à Emissora Nacional, mas com a interpretação dos temas “Se Eu Morrer Amanhã” e “Noite de Luar” é finalmente aprovado em 1945.

Três anos mais tarde, num regresso à Companhia de Teatro, e em noite de exibição numa das muitas Verbenas, desta feita no Atlético, Tony canta alguns temas do repertório de Alberto Ribeiro e, naturalmente, impressiona quem o ouve. Júlio Peres é, nessa data, director artístico do recinto e logo o convida para se apresentar no Luso, casa onde é de imediato contratado para integrar o elenco, recebendo 50 escudos por noite. É nesta altura que Tony de Matos, com 23 anos, se profissionaliza, num "ambiente puramente fadista", facto que justifica, em entrevista, dizendo: “também sou fadista a meu modo porque, como sabe, entre os meus números de mais agrado encontram-se alguns de fado-canção…” (“A Voz de Portugal”, 10 de Setembro de 1954).

Tony de Matos alcança grande popularidade quando integra a programação da APA (Agência de Publicidade Artística) e o "Comboio das Seis e Meia", com os quais percorre todo o país, em inúmeros espectáculos. São os temas românticos que passam a marcar todo o seu percurso artístico.

Logo a abrir a década de 50, Tony de Matos é convidado por Manuel Simões a gravar o primeiro disco, em Madrid, de onde se destaca o tema "Cartas de Amor", um estrondoso sucesso na rádio. No regresso a Portugal é convidado a filmar o documentário “Almourol”, realizado por Fernando Garcia.

Data de 1953 a sua estreia no teatro de revista, primeiro no elenco de "Cantigas Ó Rosa", a que se segue a peça "Saias Curtas", onde faz um dueto com Maria José da Guia.

Em finais desse mesmo ano, e graças ao sucesso alcançado até então, surge o convite de empresário Mangioni para uma temporada no Brasil. Para além de se apresentar em programas de televisão e rádio, Tony de Matos é contratado para actuar nas casas: Oásis, Lord e Esplanada. Permanece no Brasil por um período de seis meses e grava 4 discos de 78 RPM, onde revela um novo êxito, o tema "Rosinha dos Limões".

Regressa a Lisboa por apenas um mês e volta ao Brasil, a bordo do "Santa Maria", para uma visita às cidades do Rio de Janeiro e Santos. Em entrevista, Tony de Matos revela: "Contratos não faltam, felizmente. O público do país irmão tem-me acarinhado de tal maneira que eu no Rio ou em São Paulo, estou como em minha casa!" (“A Voz de Portugal, 10 de Setembro de 1954).

Tony de Matos é então dos artistas mais destacados da época e passa a ser solicitado em todo o mundo para espectáculos e digressões, que passam pelas ilhas dos Açores e Madeira, e por países como Espanha, Itália, São Tomé, Angola, Moçambique, África do Sul, Congo, Rodésia, Goa, Líbano, Iraque, Egipto, Turquia, entre outros.

Depois de percorrer vários continentes faz, em 1957, nova viagem de regresso ao Brasil, onde ficará por seis anos. Tony de Matos, entretanto casado com a cantora Maria Sidónio, abre com ela, em Copacabana, o restaurante "O Fado", em 1959. Tony de Matos continua com apresentações na rádio e televisão brasileiras, com destaque para a TV Rio, TV Tupi, Rádio Nacional e Clube 36. Corre todo o Brasil e arrecada inúmeras ovações, faz novas gravações e para a sua crescente popularidade também contribuem Joaquim Pimental e António Rodrigues, que lhe escrevem, entre outros, o tema "Vendaval", um dos seus maiores sucessos, rapidamente difundido pela rádio e televisão.

Volta a Portugal com vários discos gravados, onde se encontram músicas que serão futuros êxitos, casos de, por exemplo: "Lugar Vazio", "Lado a Lado", "Procuro Mas Não te Encontro", "Poema do Fim", ou a já referida "Vendaval". Assina contrato com a editora Valentim de Carvalho para as futuras gravações, passando a receber uma percentagem record (7%) da receita das vendas.

Neste seu regresso Tony de Matos sonha em abrir um restaurante semelhante ao que havia possuído no Brasil (O Fado) e, em 1964, inaugura um espaço a que chama Lado-a-Lado. Ainda em 1964, faz a sua estreia no grande ecrã, no filme "A Canção da Saudade", de Henrique Campos, onde interpreta o tema "Só nós dois". A 3 de Abril de 1965 Tony de Matos recebe o Prémio Música Ligeira, para melhor cançonetista, e, nesse mesmo ano, volta ao cinema, protagonizando ao lado de Leónia Mendes o filme "Rapazes de Táxis", realizado por Constantino Esteves.

Em 1966, Tony de Matos concorre ao Festival da Canção, com "Nada e Ninguém", um poema de autoria de António José, mas classifica-se no último lugar. Dois anos mais tarde fará o seu regresso ao teatro no elenco da revista "Arroz de Miúdas", onde criou "O Que Sobrou da Mouraria", com letra de Paulo da Fonseca, César de Oliveira e Rogério Bracinha e música de João Nobre.

Tony de Matos é uma das vozes mais proeminentes e populares no mundo da canção portuguesa, como nos diz a revista “Antena”: “cantou em quatro continentes, a sua voz está implantada em milhares de discos, o rosto surgiu na tela grande, a presença firmou-se na retina de quem o aplaude no teatro ou na televisão, quem o escuta nas mais diversas horas do dia penetrando em nossos lares” (“Antena”, 15 de Setembro de 1967).

As suas participações em películas cinematográficas incluem, ainda, os filmes: "O Destino Marca a Hora", realizado por Henrique Campos, em 1970; e "Derrapagem", de Constantino Esteves e datado de 1974.

Após a Revolução de Abril de 74, Tony de Matos sente um decréscimo na sua popularidade e consequente contratação para espectáculos. Inicia uma digressão pelos Estados Unidos da América, volta a apaixonar-se, a casar e por ali fixa residência durante cerca de 8 anos.

O retorno a Portugal coincide com novas experiência no teatro de revista, revelando-se uma das principais vedetas em algumas peças. Estabelece uma relação "séria, feliz, duradoura" com a fadista Lídia Ribeiro, que o acompanhará até ao fim da sua vida (“A Capital”, 24 de Setembro de 1988). No mesmo período, partilha com Carlos Zel e Filipe Duarte a gerência da casa Fado Menor, por onde passam grandes vultos do Fado.

Em 1985 João Henriques escreve-lhe a canção "Romântico" que, aliada ao convite de Vitorino para um concerto realizado no Coliseu dos Recreios, que resultou numa plateia rendida ao seu talento; o vai projectar de novo para a fama. Prova disso mesmo é o concerto em nome próprio que realiza em Novembro de 1985, onde, para gáudio de todos os presentes, interpreta grande parte dos temas mais célebres da sua longa carreira.

Tony de Matos morre a 8 de Junho de 1989, pondo fim a uma carreira repleta de êxitos. Ficará para sempre recordado como o cantor romântico que, com a sua característica voz, moldada num timbre único e inimitável, tão bem soube exaltar o amor.

Em 2006 é editado, numa produção RTP e Ovação, o DVD do último concerto de Tony de Matos e, em 2007, é lançado o álbum "A Vida de um Romântico", sob a chancela da Farol.

Selecção de fontes de informação:
"A Voz de Portugal", 10 de Setembro de 1954;
Revista "Flama", 16 de Março de 1962;
Revista "Flama", 14 de Fevereiro de 1964;
"Antena", 15 de Setembro de 1967;
"A Capital", 24 de Setembro de 1988;
“TV 7 Dias”, 16 a 22 de Junho de 1989.

Última actualização: Outubro/2008



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