Museu do Fado
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Carlos Ramos
( 10 Outubro, 1907 - 9 Novembro, 1969 )
Na voz de Carlos Ramos há “tudo o que caracteriza um artista de classe: expressão, calor e, talvez acima de tudo, aquele timbre tão pessoal, roufenho talvez, mas incontestavelmente pleno de verdadeiro sentido fadista.” (cf. CD “Sempre que Lisboa Canta”, 1998).

Na voz de Carlos Ramos há “tudo o que caracteriza um artista de classe: expressão, calor e, talvez acima de tudo, aquele timbre tão pessoal, roufenho talvez, mas incontestavelmente pleno de verdadeiro sentido fadista.” (cf. CD “Sempre que Lisboa Canta”, 1998).

Carlos Augusto da Silva Ramos nasceu em Alcântara a 10 de Outubro de 1907. Conviveu com a música desde criança, uma vez que o pai, João da Silva Ramos, tocava trompa nas caçadas do rei D. Carlos, de quem era, também, funcionário como Porteiro da Real Câmara no Palácio das Necessidades.

Carlos Ramos aprendeu a tocar guitarra portuguesa integrado num grupo de estudantes do Liceu Pedro Nunes, que se dedicavam à aprendizagem deste instrumento no intervalo das aulas. Neste grupo incluía-se o Dr. Amaro de Almeida, de quem Carlos Ramos voltou a ser colega na Escola de Medicina.

Com a morte do pai, quando tinha apenas 18 anos, foi forçado a desistir da medicina e empregou-se como escriturário nos estaleiros da CUF e, posteriormente, como radiotelegrafista na Marconi, experiência profissional que tinha adquirido, anteriormente, na prestação do serviço militar.

Os primeiros contactos de Carlos Ramos com o fado surgiram no bairro de Alcântara onde residia. A sua carreira iniciou-se pelo acompanhamento à guitarra portuguesa de diversos fadistas, passando depois a cantar, muitas vezes acompanhando-se a si mesmo. Em entrevista ao jornal "Guitarra de Portugal" de 30 de Junho de 1945, afirma que apesar de cantar há cerca de 15 anos, apenas se profissionalizou em 1944, por conselho de Filipe Pinto. E assim, em 1944, fez aquela que considerou como a sua estreia profissional, no Café Luso.

No início da sua carreira, como guitarrista, Carlos Ramos acompanhou os mais conceituados fadistas em espectáculos e digressões várias e em restaurantes típicos, como o Retiro da Severa ou o Café Mondego, e mesmo nas muitas solicitações que teve para participar em peças do Teatro de Revista.

Na sua primeira deslocação ao estrangeiro, em 1939, acompanhou Ercília Costa numa digressão aos Estados Unidos, por iniciativa do embaixador português em Washington, Dr. João Bianchi.

Será na década de 1950 que Carlos Ramos efectuará mais espectáculos no estrangeiro, conforme ele próprio revela em entrevista, após o regresso a Lisboa de uma digressão realizada à África Portuguesa. Carlos Ramos enumera os locais onde realizou espectáculos, caso da América do Norte, Brasil, Espanha, Açores, Madeira, Itália, França e Egipto. (Cf. "Voz de Portugal", 1 de Novembro de 1956).

O seu horário de trabalho para a Marconi não lhe proporcionava integrar os elencos fixos das casas típicas, no entanto a sua presença nestes espaços era muito regular. Actuou em muitos desses restaurantes e, em 1952, tornou-se artista privativo da Tipóia, onde se manteve até abrir o seu espaço em nome próprio – A Toca.

Carlos Ramos participou em muitos espectáculos de homenagem a colegas, como nas festas dedicadas a Alfredo Marceneiro, em 1948 no Café Luso e, em 1963, no Teatro São Luiz, ou na Festa de Consagração de Manuel de Almeida, realizada no Pavilhão dos Desportos em 1962.

O fadista foi também presença frequente na rádio, quer na Emissora Nacional quer no Rádio Clube Português, e dos primeiros programas de fado transmitidos pela televisão, o que muito contribuiu para o aumento do seu sucesso e popularidade junto de um público mais alargado.

Em 1956 já tinha gravado 16 discos e este número foi sempre crescendo. Gravou os seus primeiros discos ainda em formato de 78 rpm, a que se sucederam vários EPs e LPs, inicialmente em edições da Columbia e, posteriormente, da Valentim de Carvalho.

Em entrevista à revista Plateia, de 1 de Julho de 1964, Carlos Ramos relata a possibilidade surgida para participar no filme "Fado Corrido" e fala sobre os outros filmes em que participou: "Cais Sodré" (1946), "Fado" e "Lavadeiras de Portugal" (1957), afirmando que apesar de as suas intervenções serem sempre a cantar, gostaria de ter experiências de participação como actor.

Tal não viria a suceder e o "Fado Corrido" será a sua última intervenção em cinema. Este filme foi realizado em 1964 por Jorge Brum do Canto, sobre um argumento de David Mourão-Ferreira. Uma película protagonizada por Amália Rodrigues, onde o fadista interpreta temas editados pela Columbia, ainda nesse ano, no EP "Carlos Ramos canta «Atrás de um Sonho» do Filme Fado Corrido".

Quando em 1959 abre a sua própria casa de fado, A Toca, conta com a presença de Maria Teresa de Noronha, José António Sabrosa e Alfredo Marceneiro na inauguração e torna-se proprietário daquele que será um dos restaurantes típicos mais afamados do Bairro Alto.

Apesar de ser nesse seu espaço que regularmente se passam a poder escutar as interpretações de Carlos Ramos, o fadista continua a participar em inúmeros espectáculos, em palcos, na rádio e na televisão e mesmo a colaborar com as Marchas Populares, como padrinho, em 1963, ao lado de Celeste Rodrigues na Marcha de Alcântara e, em 1966, com Maria do Espírito Santo, na Marcha do Bairro Alto.

Carlos Ramos frequentou regularmente as casas típicas de Lisboa, durante as décadas de 1940 e 1950, fez uma breve carreira internacional, participou em revistas e filmes e, em 1952, passou a integrar o elenco exclusivo da Tipóia, ao lado de Adelina Ramos, de onde só sairia em 1959 para abrir A Toca, espaço localizado na Travessa dos Fiéis de Deus no Bairro Alto.

Uma trombose ocorrida em meados da década de 60 faria terminar abruptamente com a sua carreira artística. O fadista morreria alguns anos mais tarde, a 9 de Novembro de 1969.

A sua voz particular conquistou o público e popularizou-o em grandes êxitos como: "Senhora do Monte" (Gabriel de Oliveira – José Marques, Fado Carriche), "Anda o Fado Noutras Bocas" (Artur Ribeiro), "Não Venhas Tarde" (Aníbal Nazaré – João Nobre), "Canto o Fado" (João Nobre). Temas que se eternizaram na memória colectiva e foram interpretados por inúmeros fadistas ao longo de gerações, que desta forma continuam a homenagear este nome incontornável do universo do fado.

Selecção de Fontes de Informação:
“Guitarra de Portugal”, 28 de Dezembro de 1939;
“Canção do Sul”, 16 de Setembro de 1944;
“Guitarra de Portugal”, 30 de Junho de 1945;
“Ecos de Portugal”, 1 de Abril de 1948;
“Ecos de Portugal”, 15 de Dezembro de 1949;
“Voz de Portugal”, 1 de Novembro de 1956;
“Plateia”, 1 de Julho de 1964;
Guinot, Maria, Ruben de Carvalho e José Manuel Osório (1999) "Histórias do Fado", Col. "Um Século de Fado", Lisboa, Ediclube;
Folheto do CD “Sempre que Lisboa Canta”, EMI – Valentim de Carvalho, 1998.

Última actualização: Julho/2009

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