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Conheça melhor:

Deonilde Gouveia

(01 Janeiro, 1900)

Deonilde Gouveia nasce em Viana do Castelo e nos primeiros anos do século XX inicia a sua carreira artística optando, numa primeira fase, pelo teatro.

Durante este período, Deonilde trabalhou em diversas Companhias Artísticas nomeadamente a pertencente a Armando Vasconcelos com as quais percorreu todo o território nacional e quase todos os Estados do Brasil, estreando-se como cantadeira, no Teatro República, no Rio de Janeiro, na opereta “Fado do Bairro Alto”. (cf. “Canção do Sul”, 1 de Setembro de 1936)

Já de regresso a Portugal, será na década de 30 que Deonilde assistirá a uma maior dinâmica no seu percurso artístico e, após a sua estreia no Solar da Alegria, a cantadeira afirmará: “Sendo das mais novas cantadeiras, já, felizmente cantei do Norte a Sul do país, porque além de vários contratos individuais, tenho com os meus queridos colegas Joaquim de Campos e Júlio Proença, tomado parte em muitas festas de caridade e já têm sido algumas dezenas.” (cf. “Guitarra de Portugal”, 10 de Julho de 1930). Á beneficência somam-se também as actuações em verbenas, casas de fado, festas de homenagem, teatros e em casas de particulares.

Numa postura pautada pela discrição, brio profissional e justeza, Deonilde Gouveia não se ilude com os elogios que a imprensa da época lhe dirige: “…uma das primeiras vedetas da nossa linda canção, porque as notas do fado, na sua garganta, saem cheias de melodia e sentimento a que alia uma dicção impecável. (…) A fadista de raça que nos comove até às lágrimas.” (Cf. “Guitarra de Portugal”, 10 de Julho de 1930).

Reflexo da estima e admiração não só por parte da imprensa mas também por parte dos seus colegas, ocorre no Salão Artístico de Fados em Outubro de 1930, uma festa de homenagem a Deonilde Gouveia, onde tomam parte nomes como: Armandinho, Ercília Costa, Berta Cardoso, Alberto Costa, Júlio Proença, Manuel Cascais, entre outros. (cf. “Guitarra de Portugal”, 30 de Outubro de 1930)

Em Fevereiro de 1931, anuncia-se a reabertura de um dos mais emblemáticos espaços de fado, o Solar da Alegria, situado na Praça da Alegria, que sob a direcção de Deonilde Gouveia e Júlio Proença, abre portas com um novo elenco de artistas composto por: Alberto Costa e Rosa Costa, a que se juntam Deonilde Gouveia e Júlio Proença. O acompanhamento fica a cargo de João Fernandes e Domingo Costa na guitarra portuguesa e Santos Moreira na viola. (cf. “Guitarra de Portugal”, 6 de Fevereiro de 1931).

È também neste período que se assinala a existência de diferentes grupos de artistas com o propósito comum de realizarem espectáculos e digressões. Rui Vieira Nery identifica para além da “Troupe Guitarra de Portugal” e do “Grupo Artístico Canção Nacional”, o “Grupo Artístico Propaganda do Fado” integrado por Deonilde Gouveia, Júlio Proença e Joaquim Campos. (cf. Nery (2004): 212). A par destas actuações, Deonilde soma ao seu percurso artístico digressões em Portugal e na Ilha da Madeira, noticiadas pelos jornais da época: "Do Funchal, aonde se encontra cumprindo um contracto artístico, escreve-nos a nossa amiga e querida cantadeira Deonilde Gouveia…” (cf. “Guitarra de Portugal”, 12 de Abril de 1934).

Em 1936 figura na capa da “Canção do Sul” que a destaca como uma das mais representativas figuras do meio artístico e para quem “Deonilde é uma grande cantadeira. Canta o fado e sente-o com uma alma de eleição. É uma fadista antiga e tem o seu público fiel…” (cf. “Canção do Sul”, 01 de Setembro de 1936)

Para além de excelente interprete, Deonilde Gouveia figura também como autora de temas do seu repertório, a saber: “Portugal”, “Campinos” e “Tarde de Toiros”, entre outros registos. (cf. Machado (1937):81)

Em 1946 foi alvo de uma homenagem no Retiro dos Marialvas e após doloroso sofrimento faleceu em Agosto de 1947.

 

Fonte:

“Guitarra de Portugal”, 10 de Julho de 1930;

“Guitarra de Portugal”, 17 de Setembro de 1930;

“Guitarra de Portugal”, 6 de Fevereiro de 1931;

“Guitarra de Portugal”, 05 de Março de 1931;

“Canção do Sul”, 1 de Setembro de 1936;

“Guitarra de Portugal”; 01 de Fevereiro de 1946;

“Ecos de Portugal”, 01 de Setembro de 1947

Machado, A. Victor (1937), “Ídolos do Fado”, Lisboa, Tipografia Gonçalves

Nery, Rui Vieira, 2004, “Para uma História do Fado”, Corda Seca/Público.

Deonilde Gouveia s/d

Alfredo Marceneiro, Deonilde Gouveia, Manuel Calisto Festa de Alfredo Duarte Marceneiro O Luso 21 de Junho de 1941

Grupo Artístico Propaganda do Fado Júlio Proença, Deonilde Gouveia, Joaquim Campos s/d

Deonilde Gouveia, Arminda Vidal, Manuel Calisto Festa de Alfredo Duarte Marceneiro O Luso 21 de Junho de 1941

Embaixada do Fado, Retiro da Severa, Royal Cine, 1937