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Frei Hermano da Câmara

(N. 12 julho, 1934)

Hermano Vasco Villar Cabral da Câmara nasceu a 12 de Julho de 1934. Para além da ascendência nobre – é tetraneto do rei D. João VI -, tem também ligações familiares a várias figuras da música portuguesa, sendo primo de Maria Teresa de Noronha, Vicente da Câmara, Nuno da Câmara Pereira e Luísa e Salvador Sobral, por exemplo.

 

O nome de Frei Hermano da Câmara encontra-se inscrito na História do Fado representando o apostolado cristão através da música e do Fado. Referência para as novas gerações como fadista e intérprete mas também como compositor e poeta, Frei Hermano da Câmara soma mais de 60 anos de carreira no Fado e uma vida devota à Fé e à vivência de Cristo.

Começou a cantar muito cedo, mas só iniciou uma carreira pública na segunda metade da década de 1950, tornando-se uma das vozes mais reconhecidas em Portugal. Autodidacta participou desde cedo em encontros de fado, muitas vezes na companhia dos irmãos. Gravou o seu primeiro disco em 1955 embora a estreia no circuito comercial só tenha acontecido em 1959, pela editora Valentim de Carvalho, num álbum onde assinava o tema “Minha Mãe, Nasci Fadista”. O EP “Sunset and Sentiment” editado em 1959 reunia alguns dos sucessos do seu repertório como o tema "Colchetes de Oiro". Com a colaboração de músicos como José Fontes Rocha, Joaquim do Vale e Joel Pina e poemas de João Linhares Barbosa, Henrique Rego e do Conde de Sobral este disco viria a ser reeditado diversas vezes.

Em 1961 iniciava o seu percurso de monge beneditino no mosteiro de Singeverga.  O seu "Fado da Despedida" haveria de assinalar a despedida dos fados para ingressar na vida monástica mas, a verdade, é que o Fado pouco se afastou de Frei Hermano, passando a ser a sua expressão, a expressão da sua palavra e do amor a Cristo. No final da década de 1960, com a abertura do Concílio de Vaticano II, Frei Hermano da Câmara subia ao palco do Teatro Tivoli (1969) iniciando um caminho singular de apostolado através da música.

Em 1970, sob a chancela da RCA Victor, começava uma década profícua em termos discográficos. Frei Hermano da Câmara gravaria cinco discos, com uma criteriosa selecção de repertório. Cantando a poesia de António Botto, Augusto Gil e João de Deus, tornava-se, também, o primeiro cantor a gravar Fernando Pessoa, em 1965, numa melodia da sua autoria. O poema “Mar Português” transformou-se num fado chamado “Mar Salgado”.

Em 1970 Frei Hermano da Câmara regressava aos discos em nome próprio. “A Santa Face de Jesus”, “Cantilena da Lua Nova” e “Túnica Negra” foram os três discos de 45 rotações que foram agrupados num álbum que o introduziu às gerações mais novas. Desse contacto com Frei Hermano da Câmara nasciam os álbuns “Encosto a Fronte à Vidraça” e “Bruma Azul do Desejado”, este último acompanhado pelos membros do Quarteto 1111, que acrescentava ao disco uma sonoridade nova e vanguardista.

Ainda nos alvores da década de 1970 Frei Hermano gravava  um dos seus sucessos mais emblemáticos, que se mantém, ainda hoje, associado ao seu nome: "O Rapaz da Camisola Verde" com letra de Pedro Homem de Mello e melodia da sua autoria.

Em Julho de 1973 foi finalmente ordenado monge beneditino, firmando assim a sua devoção.

A aposta da Valentim de Carvalho em Frei Hermano da Câmara levou-o a editar vários trabalhos ao longo dos anos, sempre com muito sucesso. Em 1974, lançou “Sede de Infinito”, um álbum integralmente composto por melodias suas, com os poemas de Miguel Torga, Mário de Sá Carneiro, ou Gomes Leal.

Com produção e supervisão de Mário martins era editado em 1978, “O Nazareno”,  projecto que retratava a vida de Jesus Cristo e que contou com a participação de vários convidados como Amália Rodrigues, Luísa Vilarinho, António Pinto Basto, Teresa Siqueira, Vítor de Sousa, Tomaz Cabral Câmara, Carlos Quintas, Horácio Santos e Mário Sargedas. O álbum tornou-se um espectáculo musical e, em 1986, subiu ao palco do Coliseu de Lisboa uma encenação de “O Nazareno” que contava, entre outros, com Teresa Siqueira, Teresa Tarouca, Alexandra, Jorge Fernando.

Em 1983 o disco Totus Tuus - Uma Serenta Mística a Nossa Senhora, gravado nos Estúdios da Valentim de Carvalho, incluía a participação do guitarrista António Chaínhoe  do Coro Infantil do Clube TAP.

Vários outros discos se seguiram, tendo Frei Hermano ainda em 2014 participado numa nova encenação de Carlos Avillez para “O Nazareno”, mostrando que este trabalho ficou bem presente na memória de muitos portugueses.

A carreira musical de Frei Hermano da Câmara continuou, a par com a vida monástica, tendo actuado em várias salas emblemáticas do país, como o Teatro Tivoli (1969), o Teatro de São Luís (1977), o Teatro Maria Matos (1980), o Coliseu dos Recreios (1986) o Coliseu do Porto (1988), e a Expo 98.

Em 1990, viu os estatutos dos Apóstolos de Santa Maria serem aprovados pelo Arcebispo de Braga. Esta congregação, fundada pelo próprio Hermano da Câmara, tem como mote o apostolado através da música, ou seja, a música como veículo da fé. Todo o dinheiro ganho com o Fado, através da venda de discos, espectáculos, direitos de autor, foi canalizado para suportar a congregação.

Frei Hermano da Câmara continuou a gravar, lançando, em 1994, o disco “Missa Portuguesa”; em 1997, “Um Astro de Luz” e, em 2003, “Vivo d’arte, vivo d’amor”.

Apesar de afastado dos palcos há largos anos, em 2012 e 2013 fez um concerto comemorativo de 50 anos de fados, no Teatro Tivoli BBVA, onde revisitou êxitos como “O Fado da Despedida”, “Túnica Negra”, “O Rapaz da Camisola Verde” e “Jesus”, acompanhado por Pedro de Castro e José Luís Nobre Costa nas guitarras portuguesas, Francisco Gonçalves na viola e Joel Pina na viola baixo.

A sua última grande atuação decorre em 2014, num concerto baseado na obra "O Nazareno" com encenação de Carlos Avilez, em tr~es concertos no Coliseu do Porto, no Coliseu Micaelense em Ponta Delgada e no Campo Pequeno, em LIsboa.

A 22 de dezembro de 2025 foi agraciado com a Comnda da Ordem do Infante D. Henrique.

Fonte:

https://www.rtp.pt/rtpmemoria/gramofone/frei-hermano-da-camara-por-joao-carlos-callixto_1167

https://www.meloteca.com/portfolio-item/hermano-da-camara/

https://www.cmjornal.pt/domingo/detalhe/frei-hermano-da-camara-sinto-me-um-artista-com-talento

https://www.music.apple.com/pt/artist/frei-hermano-da-camara