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Carlos Gonçalves
( 3 Junho, 1938 )
Entre 1968/69, torna-se guitarrista de Amália Rodrigues, integrando o grupo liderado então por Fontes Rocha. A sua técnica e sensibilidade musical evidenciam-se na composição de diversos arranjos e de músicas para a voz da fadista, com especial destaque para “Lágrima” e "Grito".

Carlos Gonçalves, de seu nome completo Carlos dos Santos Gonçalves, nasceu em Beja, no dia 3 de Junho de 1938.

Influenciado pelo pai, que tocava bandolim, cedo começou a interessar-se por música tendo para o efeito aprendido solfejo. Chegou mesmo a tocar clarinete na Banda Capricho, em Beja, mas a sua paixão era a guitarra portuguesa, que se habituou a ouvir nos programas emitidos pela Emissora Nacional, através dos mestres José Nunes e Raul Nery, suas referências fundamentais.

Oriundo de uma família modesta, não dispunha de rádio e era numa taberna próxima que, ainda jovem, ia ouvir religiosamente os programas semanais de 20 minutos de fados e guitarradas. Com excelente ouvido e memória musicais, captava os sons que ouvia e, de seguida, corria para casa, pegava na guitarra que lhe haviam emprestado e tentava reproduzir, dentro dos moldes possíveis e à sua maneira, o que ouvira na rádio. Foi desta forma, quase autodidacta, que conseguiu aprender a tocar guitarra portuguesa, revelando simultaneamente uma enorme destreza técnica.

Corre o ano de 1957 quando, por circunstâncias familiares, se mudam para Lisboa. Neste período Carlos Gonçalves revela-se já um excelente executante da guitarra portuguesa e inicia o circuito das casas típicas. Passa pelo Café Lisboa, onde deu os primeiros passos no fado vadio, mas a sua estreia acontece na Adega da Anita, localizada no Parque Mayer e propriedade de Anita Guerreiro, ao que se segue o elenco do restaurante típico Lobos do Mar, na Calçada de Carriche. Este trajecto coincide com a profissionalização do guitarrista, que ocorre aos 20 anos de idade, altura em que adquire a sua primeira guitarra portuguesa na loja Santos Beirão, situada no Rossio (até então para poder tocar pedia o instrumento emprestado).

Carlos Gonçalves cumpre o serviço militar em Beja, Évora e, por fim, em Queluz. Nesta fase final, mantém um contrato com "A Viela", onde toca todas as noites. Nunca se desligando do circuito das casas de fado, Carlos Gonçalves é convidado para actuar nos mais emblemáticos espaços de fado e dos quais destacamos Márcia Condessa, A Toca, Severa, Folclore, Taberna do Embuçado, Arreda e Picadeiro, locais onde acompanhou grandes figuras tais como, Lucília do Carmo, Maria Teresa de Noronha, Argentina Santos, Beatriz da Conceição, Fernanda Maria, Fernando Maurício, Alfredo Marceneiro, Fernando Farinha, Carlos Ramos, Max, entre muitos outros.

Entre 1968/69, torna-se guitarrista de Amália Rodrigues, integrando o grupo liderado então por Fontes Rocha. A sua técnica e sensibilidade musical evidenciam-se na composição de diversos arranjos e de músicas para a voz da fadista, com especial destaque para “Lágrima” e "Grito". Sobre o tema “Lágrima” o guitarrista confidencia: “Eu tinha saído da casa de fados do João Braga, pelas 3 horas da manhã e no caminho fui-me lembrando da melodia, cheguei a casa e passei à Amália pelo telefone. Ela, fora de série, fez um rascunho e daí a uns dias já tinha a letra feita….”.

Para além destes dois temas fundamentais no repertório de Amália Rodrigues, podemos fazer referência aos seguintes: “Ai As Gentes, Ai A Vida”, Ai, Minha Doce Loucura”, “Alma Minha”, “Amor De Mel, Amor De Fel”, “Entrega”, “Flor Do Verde Pinho”, “O Fado Chora-se Bem”, “Obsessão”, “Se Deixas De Ser Quem És”, entre outros que integram a discografia da fadista. (cf. http://www.carlosgoncalves.com.es/13/pt_index_13.htm)

O trabalho que envolveu o músico e a fadista resultou em inúmeras gravações, espectáculos ao vivo, nas melhores salas e televisões de todo mundo, uma repercussão nunca antes sentida no panorama do fado. Com esta artista, Carlos Gonçalves percorre praticamente todos os países da Europa, bem como o Japão Austrália, Brasil, Canadá, etc. Em 1990, acompanha Amália Rodrigues nas comemorações dos seus 50 anos de actividade profissional, fazendo concertos por Espanha (Córdova, Granada, Madrid e Santiago de Compostela), França (Paris), Suiça (Génova), Portugal (Teatro São Carlos e Funchal), Israel (Telavive), Índia (Goa), Macau, Coreia (Seul), Japão (cinco espectáculos em várias localidades), Bélgica, EUA (Nova Iorque) e Itália.

Carlos Gonçalves revela-se um músico bastante exigente e muito crítico em relação ao trabalho que desenvolve, e acrescenta: “Gosto tanto de acompanhar como de tocar guitarradas. Acompanhar bem parece-me mais difícil que tocar guitarradas bem. (…) O acompanhamento não se pode ensinar e as guitarradas sim. O acompanhamento é uma intuição, é um campo muito complicado de provar, é muito abstracto….”.

Em 16 de Outubro de 1999 e no âmbito do “Ciclo de Guitarra Portuguesa”, Carlos Gonçalves, acompanhado por Carlos Macieira (viola), realiza um concerto no auditório do Museu do Fado intitulado "O Fado na Guitarra Portuguesa". Curiosamente, o mesmo ocorre no dia do enterro de Amália Rodrigues, e este concerto acaba por se tornar numa sentida homenagem àquela grande intérprete do Fado.

Ainda que afirme "não gosto que me chamem de compositor", Carlos Gonçalves é hoje um autor e intérprete superior, com uma vasta obra discográfica, projectos e concertos que relançam a projecção da guitarra portuguesa, inclusivé além fronteiras.

Num prolongamento da sua extensa e brilhante carreira, Carlos Gonçalves enceta uma nova actividade como professor de guitarra portuguesa, na escola do Museu do Fado, e que decorreu entre os anos de 2001/2002.

Neste seu vasto e profícuo percurso, acompanhando e dirigindo grandes nomes do fado, Carlos Gonçalves brinda-nos em 2004 com o lançamento de um CD a solo, "A Essência da Guitarra Portuguesa", na colecção Fado Antologia, da editora CNM, onde se destacam algumas das suas melhores composições. Este lançamento coincide com uma nova fase da sua carreira, “como concertista de guitarra portuguesa” e “como director musical e intérprete”. (cf. www.carlosgoncalves.com.es)

Em Março de 2008 o guitarrista regressa ao palco de uma das mais emblemáticas casas de espectáculos de Lisboa, o Cabaré Maxime. Neste espectáculo, composto por um recital de guitarra, o guitarrista contou também com a participação da voz da cantadeira Rosa Maria.

Selecção de fontes de informação:
Caldeira Cabral, Pedro (1999), "A Guitarra Portuguesa", Col. "Um Século de Fado", Lisboa, Ediclube;
Catálogo da “I Grande Gala dos Prémios Amália Rodrigues” realizada em 18 de Outubro de 2005 no Teatro Municipal S. Luiz;
Museu do Fado - Entrevista realizada em 18 de Agosto de 2006;

Última actualização: Abril de 2009



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