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Ricardo Parreira
( 20 Abril, 1986 )
Sobre o seu apelido há já muito para dizer. São suas referências o pai, António Parreira, conceituado guitarrista e professor na Escola de Guitarra do Museu do Fado, e o irmão Paulo Parreira, também brilhante na arte da guitarra portuguesa e do fado.

Sobre o seu apelido há já muito para dizer. São suas referências o pai, António Parreira, conceituado guitarrista e professor na Escola de Guitarra do Museu do Fado, e o irmão Paulo Parreira, também brilhante na arte da guitarra portuguesa e do fado. Mas, segundo as palavras de Ricardo Jorge Marques Proença Parreira Costa, nascido em Oeiras, foi “na barriga da mãe” que despertou para a guitarra e para o fado. Maria José é empregada de mesa na casa de fados Parreirinha de Alfama, propriedade de Argentina Santos, madrinha do jovem guitarrista Ricardo Parreira.

Em entrevista à revista “A Voz de Paço D´Arcos”, Ricardo Parreira relembra: “Claro que foi com o meu pai que comecei a mexer nas cordas, teria uns 5 ou 6 anos e lembro-me que punha as cassetes vídeo com as gravações dele, que ouvia e via vezes sem conta, tentando imitá-lo….” As aulas de guitarra começaram pouco depois, bem como as primeiras incursões às casas de fado, nomeadamente ao Velho Pátio de Santana, local onde o pai António Parreira toca todas as noites.

Com a entrada no Conservatório Nacional para estudar guitarra clássica, surgem os primeiros convites para acompanhar Argentina Santos nos concertos de homenagem à fadista que tiveram lugar no Museu do Fado (1999) e no Coliseu dos Recreios (2000). No ano seguinte, um novo desafio para o jovem guitarrista. Ricardo Parreira é convidado para um concerto a solo, no Convento de S. Bento de Vitória, inserido no Festival “Um Porto de Fado”, e que fez parte da programação cultural do “Porto 2001, Capital da Cultura”. Na altura, sobre o seu percurso musical, delinearam-se as seguintes palavras “Jovem e virtuoso, para Ricardo Parreira avizinha-se um futuro brilhante como intérprete e como sinal vivo de uma forma antiga de música urbana que insiste, felizmente, em manter-se viva.” (cf. “Um Porto de Fado”, pp. 21)

Em 2005, Ricardo Parreira já havia acompanhado com regularidade os fadistas Mafalda Arnauth e Hélder Moutinho. Com outros fadistas alinhou, em concertos, espectáculos, digressões, sendo de referir entre muitos, Ana Maria, Beatriz da Conceição, Fernanda Maria e Camané.

No dedilhar das 12 cordas da sua guitarra Ricardo Parreira elege os seus mestres, os antecessores Artur e Carlos Paredes, Armandinho, José Nunes, Francisco Carvalhinho, Jaime Santos, hoje ainda fontes de inspiração para a criação musical e talento do jovem guitarrista. Um parêntesis, duas das guitarras portuguesas hoje nas mãos de Ricardo Parreira, tendo sido oferecidas pelo seu pai, foram pertença de Artur Paredes e de Armandinho.

Memorável para o jovem guitarrista foi a noite de 12 de Agosto de 2005, na Casa da Música, na cidade do Porto. Estava previsto um espectáculo com Camané mas também uma sessão de guitarradas, na qual Ricardo Parreira foi principal interveniente, lado a lado com Fernando Alvim, viola de Carlos Paredes. Este encontro entre os dois músicos foi decisivo e “Fernando Alvim não demorou a convidá-lo para ensaiar em sua casa. A admiração entre os dois foi crescendo, ao ponto do guitarrista sentir necessidade de homenagear o mestre com um tributo” (cf. “HM Música”, Biografia de Ricardo Parreira). O álbum “Nas Veias de Uma Guitarra” (2007) surge como reconhecimento e tributo do jovem guitarrista ao excepcional viola. Com um repertório que revisitou composições de Afonso Correia Leite, Armandinho, Artur Paredes, Carlos Paredes, Francisco Carvalhinho, José Nunes e Fernando Alvim, este trabalho “tem o sabor da alegria e a frescura da genialidade que faz tremer os sentidos.” (cf. Revista “Actual”, pp. 12). De facto, este registo lançou Ricardo Parreira e a guitarra que o acompanha para um fenómeno de renovação dentro do fado, que cada vez mais acolhe e integra jovens artistas talentosos e dinâmicos.

Diariamente Ricardo Parreira continua a renovar a sua arte. Estuda, aperfeiçoa-se, ouve os grandes inspiradores e sempre que a agenda lhe permite, as cordas da sua guitarra pulsam na Mesa de Frades, em Alfama, mas também noutros palcos, na Europa e no Japão, onde cada actuação do jovem guitarrista é alvo dos maiores elogios.

Recentemente, e para assinalar os 10 anos do desaparecimento de Amália Rodrigues, presta-se a devida homenagem à fadista através de um espectáculo que tem percorrido vários palcos nacionais. “Com que Voz” é constituído por Ricardo Parreira (guitarra), Marco Oliveira (viola de fado e voz), Micaela Vaz (voz) que recordam alguns dos mais marcantes e significativos temas do repertório de Amália Rodrigues.

No âmbito das “Festas de Lisboa 2009”, e na programação integrada na “Festa do Fado”, Ricardo Parreira apresentou-se no Museu do Fado para um ciclo único intitulado “Pôr-do-Fado” no qual partilhou o som da guitarra portuguesa com a percussão de António Teles (Quiné).

Recentemente Ricardo Parreira, Micaela Vaz, Marco Oliveira e António Zambujo juntam-se na Casa da Música, no Porto, para um espectáculo “Uma Casa Portuguesa”. (http://cronicasdaterra.com/cronicas/2009/06/03/a-casa-portuguesa-de-renata-rosa ).

Selecção de fontes de informação:
“A Voz de Paço de Arcos”, nº 143, 2ª Série – Fevereiro/Março de 2005
Carita, Alexandra e Jorge Simão (2006), “Fados Nossos”, Lisboa, Aletheia Editores
“Actual”, revista do jornal “Expresso”, 06 de Abril de 2007

Última actualização: Junho de 2009


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